
Roger Chartier fez parte da terceira geração da escola dos Annales e, desde jovem tem trabalhado em várias linhas de pesquisa como a história das instituições de ensino e das sociabilidades intelectuais, a história do livro e as praticas de escrita e leitura, e uma outra que seria a análise e o debate entre política, cultura e cultura popular.
A história cultural para Chartier, é importante no sentido de identificar o modo como em diferentes lugares e momentos, uma realidade é construída, pensada.
História cultural é uma tendência hegemônica da historiografia atual que propõe uma nova forma de interrogar a realidade, e toma como base temas do domínio da cultura e salienta o papel das representações.
História cultural não deve nunca ser confundida com a produção literária ou a produção artística, ambas comumente analisadas apenas estilisticamente e inseridas dentro da chamada "História Intelectual", que é um domínio da História das mentalidades. Aborda as grandes questões intelectuais ao longo dos tempos em interação com os movimentos intelectuais e científicos, e respectivas repercussões na dimensão histórica-social. É pois, o âmbito da história que estuda os intelectuais enquanto agentes da história que criam, escrevem, discutem e propagam idéias.
A produção cultural dá-se de diversas formas: Um escultor, ao construir sua obra, está produzindo cultura. Ao fazer uma exposição dessa obra para um público, estará sendo produzida cultura também por este público. Desta forma a prática cultural não será constituída apenas no momento da produção de um objeto cultural, mas também no momento da sua recepção.
A partir do século xx, as formas de se analisar a cultura, ampliou-se. Passou-se a avaliar a cultura como processo comunicativo, e não apenas como a totalidade dos bens culturais produzidos pelo homem.
Os sistemas educativos, os meios de comunicação, a imprensa, as organizações socio-culturais e religiosas são chamadas de Agências de produção e difusão cultural e cumprem um importante papel na divulgação cultural.
Além destes aspectos, são estudados também, os meios pelo qual a cultura se produz e se transmite. As práticas e os processos.
Por fim, Roger Chartier contribuiu de forma definitiva com a História Cultural, ao elaborar as noções complementares de "práticas" e "representações".
São consideradas práticas culturais, não apenas as produções "intelectuais", como a escrita de textos, produção de obras de arte, pinturas em tela, etc, mas sim, todas as ações de uma determinada sociedade por exemplo, as formas como eles se vestem, como andam, comem, etc. Práticas culturais, seriam portanto, o complexo que inclui conhecimento, crença,arte, valores morais, leis, costumes, e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade. Corresponde assim, nesse último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração à geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a tradição desse povo.
Toda prática, gera uma representação que vai se transformando à medida que as sociedades vão evoluindo.
As noções complementares de "práticas" e "representações" formuladas por Chartier, são bem úteis, pois através delas é possível dentro do contexto social, analisar toda a arte produzida, assim como quem as produziu e quem as recebeu, e também todos os processos relativos à produção e a difusão cultural, os sistemas que dão suporte à estes processos e sujeitos.

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